Entrar na mente de outras pessoas é um poder restrito a heróis e vilões dos quadrinhos da Marvel e dos filmes de ficção científica. Ou era. Já tem gente querendo tomar o lugar do Professor Xavier fora das telas. Gente graúda. Gente como Mark Zuckerberg, o todo-poderoso do Facebook. Se tudo o que se tem especulado nas últimas semanas for verdade, em breve ele apresentará ao distinto público um equipamento capaz de fazer com que os seres humanos leiam os pensamentos uns dos outros.

Para tanto, Zuckerberg teria criado uma divisão secreta de pesquisa com o objetivo de desenvolver uma tecnologia de interface computador-cérebro que – de acordo com os jornalistas investigativos que mais perto chegaram dos detalhes do projeto – lembra muito o processo de telepatia. As pistas surgiram a partir das descrições de empregos e de termos como “neuroimagem não-invasiva” e “dados eletrofisiológicos” numa série de postagens daquela rede social.

Ao que tudo indica, a pesquisa tem se concentrado no igualmente misterioso Building 8 (“Prédio 8”). Por lá já fixaram residência engenheiros especializados em “algoritmos de processamento de sinal de áudio” e doutores em programas avançados de neurociência. Eles estariam buscando uma tecnologia que não apenas simule, e sim torne real a combinação de ondas cerebrais à experiência háptica.

Em junho de 2015, durante uma sessão de Perguntas e Respostas transmitida ao vivo pelo Facebook, Zuckerberg afirmou que um dia as pessoas serão capazes de enviar pensamentos uns aos outros diretamente e usando apenas tecnologia. Se tudo não passa de especulação da mídia, jogada de marketing ou arroubo megalomaníaco, saberemos nos próximos capítulos. Por ora, seria talvez mais interessante pensar no desenvolvimento de uma tecnologia que fizesse com que as pessoas lessem e, principalmente, entendessem seus próprios pensamentos.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.