Vamos testar o nível de atualização dos seus conhecimentos sobre finanças e transações bancárias. Já ouviu falar no Venmo? Se não, deveria. Trata-se de um serviço de pagamento móvel criado há oito anos pelos (à época) estudantes Andrew Kortina e Iqram Magdon-Ismail. É um aplicativo, disponível tanto para as plataformas iOS (iPhone) quanto Android, que permite que seus usuários façam entre si transferências em dinheiro. É um modelo comercial também conhecido como “carteira digital”, similar ao PayPal – que, não por acaso, comprou o Venmo por US$ 800 milhões em 2013.

E por que você deveria conhecê-lo? Será que o Venmo é tão popular assim? Avalie: mais de 200 milhões de usuários ativos ao redor do globo, US$ 17,6 bilhões em transações processadas no ano passado e US$ 6,8 bilhões em transações apenas no primeiro trimestre de 2017… Está de bom tamanho? Não sei quanto a você, mas para os bancões norte-americanos, está. Grande até demais. E para não perder o bonde da modernidade tecnológica, eles, os maiores bancos dos EUA, se uniram e criaram o mais novo rival do Venmo, o Zelle.

O Zelle, é claro, já chegou com melhorias em relação ao Venmo. Para enviar dinheiro a alguém – amigo, filho, mãe ou prestador de serviço – basta seu endereço de e-mail ou número de telefone. Por ora, o Zelle é destinado a “pagamentos casuais de pessoa a pessoa”. Tipo dividir a conta de um jantar ou da companhia de energia. Funciona ainda dentro dos próprios aplicativos dos bancos participantes – o que não é lá muito prático. Um aplicativo independente, contudo, estará disponível no final deste ano, garantem “sócios” do Zelle como Bank of America, Wells Fargo, JPMorgan Chase e Citibank.

Agora que conhece o Venmo e o Zelle, a sua “atualização” parece completa, não? Negativo. Antes mesmo do Zelle se tornar um app, o iOS 11 (novo sistema operacional da Apple que descrevi aqui semanas atrás) vai oferecer aos usuários de iPhones e iPads exatamente a mesma coisa: transferências de dinheiro, via Apple Pay, só que – muito melhor, muito mais simples – integradas ao iMessage, o aplicativo de envio de mensagens da Maçã. Será o fim dos bancos e dos caixas eletrônicos, como previsto há exatamente um ano? Chamada de capa anteontem no Valor Econômico: “Bancos [brasileiros] fecham 929 agências físicas no ano”. Isto, só entre janeiro e maio. Vai contando – e se atualizando.

Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.