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Até bem pouco tempo, o sonho de todo e qualquer engenheiro de automóveis era trabalhar em empresas como Ford, General Motors e Toyota. Não mais. Depois que surgiram startups e grandes corporações especializadas na concepção e desenvolvimento de carros autônomos, a realidade mudou. Sonho mesmo é trabalhar para Apple e Google. Ou numa Faraday Future Inc. da vida. O importante agora é fixar residência em San Francisco.

Profissionais com longa experiência na indústria automobilística norte-americana têm trocado seus empregos estáveis e carreiras de sucesso pelos notórios benefícios das empresas do Vale do Silício: assistência médica completa, “stock options”, refeitório gourmet e mesas de jogos. Além, é claro, de um belo salário. Sonho para uns, pesadelo para outros – especialmente para os fabricantes de automóveis tradicionais. Saídas “voluntárias” da força de trabalho reforçam a tese de que há uma evidente guerra por engenheiros altamente qualificados.

No contra-ataque, as montadoras recentemente passaram a investir em startups, muitas vezes comprando-as. Além disso, fortaleceram seus vínculos com universidades tecnológicas e, tão importante quanto, saíram da icônica Detroit para abrirem escritórios no norte da Califórnia. A General Motors, por exemplo, pagou mais de US$ 1 bilhão pela Cruise Automation, especializada em direção autônoma de veículos, e contratou a equipe inteira (20 especialistas) da Sidecar Technologies, com foco em serviços de transporte de passageiros via aplicativos de celular.

Talvez reflexo do primeiro acidente grave do tipo – há menos de um mês, um Tesla Model S estava no modo semiautônomo e colidiu com um caminhão na Flórida, provocando a morte do motorista –, uma pesquisa pelo LinkedIn detectou nas últimas semanas um movimento de “volta às origens” de funcionários da GM. O diretor global (de aquisição de talentos) da montadora, Bill Huffaker, garante, bem ao estilo norte-americano: “A grama deles não era mais verde”. Como diz o amigo Ancelmo, a conferir.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.

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