Não, não faço propaganda da Apple. Mas também não vou negar: macmaníaco desde o início dos anos 1990 – do Macintosh Classic monocromático ao já ultrapassado iPhone 6s Plus, passando por pelo menos duas dúzias de computadores, tablets e celulares –, até hoje [toc-toc na madeira] não recebi um único vírus nem fui hackeado. Meus Quadras e iMacs jamais foram apresentados ao Norton ou à Symantec. Pode ter sido “sorte”. E pode ter sido outra coisa.

Aos números. O Android, do Google, é a plataforma com a maior quantidade de usuários e, por isso mesmo, também a mais atacada. Em todo o mundo, 1,5 bilhão de dispositivos móveis rodam Android e, de acordo com a NorthBit, agência de pesquisa de software israelense, 275 milhões desses aparelhos correm risco de invasão. Por aqui, cerca de 95% do mercado de smartphones está nas mãos da plataforma do Google. Ou seja: no Brasil, percentualmente, o risco de ataques é ainda maior.

Além da questão da quantidade, um outro motivo explica por que o Android é considerado mais vulnerável que o iOS, sistema do iPhone, da Apple: o Google dá acesso ao código-fonte do Android, diferentemente do sistema operacional da Apple, que é fechado. A probabilidade de um hacker encontrar uma brecha no iOS é muito, muito menor que no Android, garantem os especialistas em segurança da informação.

O que fazer? Bem, do seu lado, o Google está se mexendo: lançou na última terça-feira (13/09)o “The Project Zero Prize”. O concurso oferece US$ 200 mil dólares para pesquisadores ou hackers descobrirem vulnerabilidades em alguns de seus produtos e versões de seus sistemas operacionais. O segundo lugar leva US$ 100 mil e o terceiro, US$ 50 mil. Para o quarto lugar, o prêmio é um iPhone 7. Brincadeira.

Mais detalhes sobre o “The Project Zero Prize” você encontra aqui e aqui.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.