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Num futuro não muito distante, no ano de 2020, estima-se que mais de 34 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet*. Isso, também de acordo com as mesmas previsões, representará mais de quatro aparelhos por pessoa ao redor do mundo, de uma população global de 8 bilhões de habitantes. Dois anos antes, em 2018, a rede irá – em grande medida – conduzir a vida de metade dos seres humanos. Até lá, serão gastos em novas tecnologias algo próximo de 17 trilhões de dólares pelas empresas, pelos governos e por nós, consumidores. Muita coisa? Quase isso: é a Internet das Coisas.

A IoT, do inglês “Internet of Things”, veio para ficar. Trata-se de uma hiper-rede de “coisas” físicas e, de alguma forma, eletrônicas, equipadas com sensores, programas e, mais importante, conexão com a internet. Podem ser tanto celulares, tablets e eletrodomésticos quanto carros, prédios e máquinas industriais. É, ou será, a nova revolução tecnológica, embora ainda dependa de inovação em áreas como nanotecnologia e para potencializar dramaticamente as redes wireless: a previsão é de que, em 2019, só nos Estados Unidos e para aparelhos móveis, uma infraestrutura descomunal será necessária para possibilitar o tráfego de 3.500 petabytes por mês. Para se ter uma ideia, o Google hoje processa cerca de 24 petabytes de informação por dia. No mundo inteiro.

O fato é que a IoT poderá trazer para a sociedade inúmeros benefícios em questões como meios de transporte, saúde e habitação. Mais integração, eficiência e precisão surgirão como resultados naturais do processamento dos dados individuais coletados on-line. Um exemplo: automóveis. Para evitar os cada vez mais frequentes e burocráticos recalls, ajustes mecânicos poderão ser feitos à distância, a partir dos computadores das fábricas automotivas e através de sistemas de “pushing”, sem que o motorista sequer perceba. Sem falar em melhorias automáticas de segurança e na venda de produtos e serviços via internet.

Se a Internet das Coisas promete diversas e até pouco tempo impensáveis melhorias no dia a dia das pessoas, parecem inevitáveis, igualmente, avanços qualitativos na indústria bélica e quantitativos nas ações de hackers, com maiores riscos para a privacidade e a própria segurança dos usuários. Isso inclui ataques literalmente físicos por meio do controle remoto de objetos, algo que só se vê nas telas de cinema. Por enquanto. A nossa realidade nunca esteve tão próxima da ficção científica.

* Fonte: Business Insider


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.

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