Já é tradição: virou o ano, jornais e revistas do mundo inteiro apresentam suas listinhas de previsões para os próximos 12 meses. À parte os nomes de quem vai casar ou separar em Hollywood (ou na TV Globo), é possível garimpar muita informação interessante nas matérias recém-publicadas. O The New York Times, por exemplo, trouxe dias atrás uma lista de dez grandes avanços tecnológicos que prometem mudar a vida das pessoas. Pelo menos das pessoas que moram nos Estados Unidos.

Alguns desses avanços foram tema de posts passados deste blog: redes sociais com mais vídeos e preocupadas em diferenciar notícias verdadeiras dos cada vez mais numerosos hoaxes que invadem a Timeline; carros autônomos ou, no mínimo, equipados com dispositivos inteligentes de segurança; assistentes virtuais instalados de fábrica em eletroeletrônicos, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar; e celulares com telas curvas e sem botões, como especulamos sobre o próximo modelo de iPhone.

Uma tendência apontada pelo NYT, contudo, surpreende – e assusta: “A volta do computador de rosto”. Os especialistas preveem que, com o sucesso do aplicativo Pokémon Go e do Snap Spectacles (óculos de sol com câmera embutida), a Realidade Aumentada ganhará espaço na corrida com a Realidade Virtual. Há a expectativa de que gigantes, como Microsoft e Apple, lancem óculos especiais que projetarão imagens em nosso campo de visão. Muita ousadia – ou, quem sabe, apenas uma releitura comportamental-tecnológica – após o fracasso do Google Glass.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.