No post da semana passada, este blog revelou que, nos Estados Unidos, trabalhadores mais velhos experimentam evidente discriminação por idade no processo de contratação, especialmente para empregos com baixa qualificação – de acordo com o resultado de uma pesquisa desenvolvida por três economistas americanos. Quando o universo em foco são apenas as mulheres, os dados trazem um abismo ainda maior: a taxa de retorno de currículos enviados para empregos administrativos de mulheres mais velhas (entre 64 e 66 anos) foi 30% menor do que a taxa das candidatas de meia-idade (de 49 a 51 anos) e praticamente (somente) a metade da taxa das candidatas jovens (29 a 31 anos).

Para os três pesquisadores, não há a menor dúvida de que as mulheres experimentam mais discriminação de idade do que os homens. A pesquisa, contudo, não aponta uma causa específica; talvez – e trata-se aqui apenas de uma hipótese – seja a influência da aparência e os efeitos do envelhecimento das candidatas na amostra de empregos de baixa qualificação, avaliados de forma bem mais dura para as mulheres do que para os homens.

Com menos oportunidades de emprego e como estatisticamente vivem mais do que os homens, as mulheres – e a necessidade de estender por mais tempo os seus benefícios de aposentadoria – têm preocupado, e muito,o governo norte-americano. Diferentemente, aliás, do que ocorre, por exemplo, na Islândia. Com uma população de pouco mais de 330 mil habitantes, a ilha nórdica tornou-se o primeiro país do mundo a exigir oficialmente a igualdade salarial entre homens e mulheres, como noticiou dias atrás a revista Fortune.

Uma nova lei exigirá que todas as empresas com 25 funcionários ou mais, sejam elas públicas e privadas, demonstrem que pagam todos os funcionários igualmente “independentemente de gênero, etnia, orientação sexual ou nacionalidade”.Segundo o Fórum Econômico Mundial, as mulheres islandesas têm em média salários até 18% menores do que os homens em média – embora o país seja classificado como o melhor do mundo em termos de igualdade de gênero por oito anos consecutivos. Verdade seja dita, é mais fácil melhorar as coisas num país que pode se dar ao luxo de alterar a Constituição convocando a população para um encontro num estádio de futebol.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.