O investimento pesado em conteúdo próprio (séries e filmes originais), que ocupa algo próximo de 50% de seu catálogo, correspondeu às melhores expectativas: a Netflix não é mais apenas o canal de entretenimento “on demand” via streaming mais conhecido e acessado dos Estados Unidos, mas também o de maiores audiências. É o que garante a Parrot Analytics. A empresa – que estima a demanda on-line de séries e filmes e, paralelamente, acompanha o tráfego em redes sociais, o compartilhamento de arquivos e (quando disponível) dados de streaming – descobriu que “Stranger Things”, da Netflix, foi, de longe, a série mais popular no terceiro trimestre de 2016 naquele país.

De acordo com o levantamento da Parrot Analytics, das dez séries de maior audiência nos EUA, dez foram distribuídas pela Netflix: “Orange Is the New Black”, “The Get Down”, “Narcos”, dirigida pelo brasileiro José Padilha, “Marco Polo”, “House of Cards”, “Fuller House”, “BoJack Horseman”, “Jessica Jones”, “Bloodline” e “Daredevil”. “The Man in the High Castle”, do Amazon, aparece num discretíssimo 12º lugar, seguido por “11.22.63”, do Hulu.

O domínio avassalador do Netflix estende-se à quase totalidade dos países nos quais o canal está presente, revela a Parrot Analytics. Observa-se alguma alteração somente em relação ao “Top 10”: sem um motivo aparente, na Rússia, por exemplo, o líder do ranking é “BoJack”. Contudo, quando entram em cena as séries exibidas por canais abertos e a cabo, as coisas mudam – e radicalmente. No ranking global daquela mesma empresa, e desta vez levando-se em conta todas as séries em exibição nas diferentes mídias, “The Walking Dead”, da AMC, ficou em primeiríssimo lugar, seguido por “Game of Thrones” e “Westworld”, ambos da HBO. A Netflix aparece na lista com “Black Mirror” – mas na 24ª posição.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.