Ainda sem muito alarde, os Estados Unidos têm experimentado nos últimos meses uma escassez contínua e crescente de residências para compra ou mesmo aluguel. Paralelamente, o sonho da casa própria de muitos norte-americanos fica ainda mais longe neste momento em que a lei de oferta e demanda revela-se implacável: os preços de vendas e aluguéis não param de aumentar – isso, diante das mais baixas taxas de juros já aplicadas às hipotecas daquele país.

Entre as causas, uma em particular se destaca. Há um número expressivo de imóveis “não disponíveis” porque seus proprietários simplesmente preferem mantê-las fechadas. Ou, na melhor das hipóteses, usá-las uma ou duas vezes por ano, quando estão de férias. Em tempo: entenda-se “número expressivo” para imóveis não disponíveis por “razões pessoais” como algo em torno de 1 milhão. Outro meio milhão de casas e apartamentos não entram no mercado porque necessitam de algum tipo de reforma ou reparo.

Com estoques em baixa, o país enfrenta uma nova – e, por enquanto, pequena – crise imobiliária. A solução? A cidade de Vancouver, no Canadá, que começa a enfrentar problema semelhante, já tem a sua. Em setembro, propôs cobrar um imposto de 2% sobre o valor de imóveis vazios para incentivar seus proprietários a alugá-los. Claro, Obama nem Trump ameaçaram reproduzir a ideia do “país de cima”. Pelo menos por enquanto.

É isso. Vamos aguardar o que nos reserva 2017. Por ora, boas entradas – e até o ano que vem!


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.