O sonho de todo economista é, quem sabe, um dia lecionar em universidades como Harvard Business School, Yale, MIT ou Berkley. Era. De uns anos para cá, motivados pelos altos salários das gigantes digitais – Google, Microsoft, Apple, Amazon e, mais recentemente, Airbnb e Uber, para citar apenas a primeira meia-dúzia que vêm à mente –, professores renomados de Economia mudaram seus zip codes da Costa Leste para os do Vale do Silício, na Califórnia.

Não foram dois ou três, mas uma sala inteira de grandes mestres. Peter Coles, por exemplo. Há quatro anos, ele abandonou o conforto, a vida profissional estável e as pesquisas sobre a criação de mercados eficientes que tinha na Harvard Business School, em Boston – e ainda abriu mão da companhia de Alvin E. Roth, prêmio Nobel de Ciências Econômicas. Fez o quê? Foi para São Francisco. Ao lado de jovens nerds e com um salário invejável, Coles passou a trabalhar para o mais popular aplicativo do mundo de aluguel de quartos. E está muito bem e feliz, obrigado.

O caso mais emblemático, contudo, é o de Hal Varian, economista-chefe da Google. Do alto de seus 69 anos, ele é considerado o maior dos economistas do Vale do Silício. Prestigiado professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Varian começou a trabalhar em regime de “part-time” em 2002 e, já com a carteira assinada, foi o responsável por refinar o mercado de AdWords do mais utilizado buscador da internet. Aplicou também seus conhecimentos econômicos na oferta pública inicial de ações (IPO) da companhia e em novos modelos de negócios, como carros autônomos.

É uma tendência? A julgar por Yale, sim. Hoje, uma quantidade expressiva de estudantes de Economia faz cursos de Ciências da Computação; não raramente, saem com os dois diplomas. Neste ano, para unir as duas cadeiras, a universidade localizada em New Haven, Connecticut, criou um programa especial de licenciatura e mestrado unindo as duas cadeiras. Em tempo: a supervisão é de Glen Weyl, economista da Microsoft Research. Mais detalhes você encontra aqui.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.