Você recebe, vê na tela do seu celular, do seu tablet e do seu computador, abre, mas nem sabe direito como é que funciona essa coisa de “Push Notification” (ou “Notificação Push”). O nome diz tudo: “push” quer dizer, neste caso, “empurrar goela abaixo” mensagens – poucas ou muitas, você ainda não pode escolher. É uma ferramenta tecnológica relativamente nova e, como tal, ainda não muito bem utilizada. Do lado de quem envia e do lado de quem recebe.

Primeiro, para que serve? Muita coisa. Em relação ao uso por empresas de varejo, reproduzo aqui o texto de um anúncio que é autoexplicativo: “Sabe quando a sua consciência te lembra que apesar de você estar sem fome, tem um chocolate mara[sic] em promoção na loja da esquina? Ou então quando sua melhor amiga te avisa que a sua loja predileta estará em promoção de 90% no fim de semana?! Pois é… Dessa forma funciona a tecnologia Push. (…) O Push tem como objetivo engajar esse cliente/usuário e oferecer um conteúdo pertinente. Ao clicar na mensagem o usuário será direcionado para o aplicativo”. Explicação “mara”.

O problema é que nem todo mundo gosta de chocolate. Ou pode comer chocolate. E não é incomum, por exemplo, torcedores de um determinado time receberem ofertas de produtos de equipes rivais. Sim, porque para receber as notificações nem sempre é preciso fazer um cadastro prévio no aplicativo ou site das empresas. Com um uso ainda sem muitos critérios do Push (que geralmente é oferecido após a instalação e/ou atualização do aplicativo), os clientes se sentem invadidos – e isso tem elevado a já bastante alta taxa de cancelamento do serviço, segundo pesquisas.

A mesma falta de bom senso se aplica aos portais jornalísticos. Queremos receber notícias, estar atualizados e bem-informados a cada minuto. Mas de quanto em quanto tempo seria razoável enviar – e receber – notificações? A cada minuto? A cada hora? É a pergunta que estão se fazendo os editores de alguns dos maiores jornais dos Estados Unidos e Europa, como The Guardian, Washington Post, USA Today e o The New York Times. A resposta é complexa, e vai demorar a aparecer. Seja para o bem ou para o mal, contudo, o Push veio para ficar.

Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.