Pouco tempo atrás, uma atriz da TV “acidentalmente” curtiu o post no Facebook de uma nova marca de batom. Não era uma atriz qualquer. Além de jovem e famosa, à época já contava com mais de dois milhões de seguidores. Horas depois do tal “like”, o estoque completo daquele produto se esgotou em todas as lojas. “Acidentes” assim, contudo, são cada vez mais raros. Cobra-se, e muito, pelas curtidas de artistas e blogueiros. E quanto mais curtidas, mais sucesso, não é mesmo? Não necessariamente.

Se você tem um produto e pretende impulsionar as vendas por meio das redes sociais, contratar o post, tweet, vídeo ou foto de uma celebridade pode ser o melhor caminho, e o mais rápido. Eventualmente, também o mais caro. No Brasil, a inserção varia de R$ 1 mil a R$ 100 mil, dependendo do número de seguidores do artista. É claro que ninguém reconhece os valores acima, mas basta uma rápida pesquisa na internet para confirmá-los. Nos Estados Unidos, há cantoras que cobram mais de US$ 200 mil. Por postagem.

E tem o outro lado da moeda: quando se trata não da venda de um produto físico, como um batom, mas de um site, de um canal, de um blog. A venda do “seu” blog. Novamente, o número de seguidores e/ou curtidas faz toda a diferença para valorizar o produto virtual. Aí surgem os oportunistas. Ou as chamadas “click farms” (“fazendas de cliques”), que oferecem, aqui e em vários países, 1.000 curtidas por US$ 70, US$ 45 e até US$ 16. É o que a mídia definiu como comércio clandestino de popularidade.As curtidas quase sempre têm origem duvidosa: perfis falsos, pessoas pagas ou, o que é mais comum, robôs. Para inflar o seu ego, talvez funcione…

Mas é possível, sim, turbinar sua página numa rede social de forma, digamos, mais profissional. Há empresas especializadas em geração de “leads” (clientes potenciais para um negócio), só que isso também tem um custo. Aliás, dois: de planejamento e de execução. E nem sempre os algoritmos trabalham a seu favor. A estratégia, embora amparada por uma matemática exata, pode dar errado. E muitas vezes dá; nada garante que “leads” se converterão em clientes ou negócios. O fato é que o sucesso, seu ou de seu produto, não virá por acaso. Tampouco as curtidas.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.