Você ainda usa cheques? Anda com muito dinheiro vivo no bolso? Qual foi a última vez que apareceu num banco? Faz muito tempo, não é? Está com saudade da sua agência bancária? Então corra: ela, a sua agência bancária, está acabando. E de forma muito rápida. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Bank of America reduziu em 23% o número de suas agências físicas de 2009 para cá. Essa redução, em grande medida, justifica a demissão de mais de 8 mil funcionários do BofA, um dos maiores bancos norte-americanos. Em termos percentuais, nesses últimos seis, sete anos houve uma contração da ordem de 37% na sua força de trabalho.

As respostas para tal fenômeno você mesmo acaba de dar: um número cada vez menor de visitas às agências, de cheques emitidos e de dinheiro vivo nas mãos de boa parte da sociedade – especialmente das camadas mais jovens, como os “millennials”, ou Geração Y. Uma pesquisa recente (também nos Estados Unidos) com 1.500 pessoas na faixa de 18 a 34 anos revelou que a quase totalidade da amostragem só realiza transações bancárias via aplicativos de computadores, smartphones e tablets; a maioria absoluta dos pesquisados sequer pisou numa agência bancária.

No Brasil, o uso dos canais digitais do setor bancário segue pelo mesmo caminho: houve forte expansão no ano passado do mobile banking, que registrou 11,2 bilhões de transações bancárias, um crescimento de 138% em relação a 2014 – segundo Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira de Bancos. Realizado pela Deloitte, o estudo mostra ainda que o número de transações via dispositivos móveis cresceu mais de 100 vezes desde 2011.

O fato é que, muito em breve, a agência bancária, aquela que a gente ainda encontra em cada esquina,se tornará um espaço vazio, caro e obsoleto. E será substituída – de vez – pela agência digital. A velocidade para que isso ocorra deverá ser proporcional e determinada pelos avanços tecnológicos do setor, com programas cada vez mais inteligentes, completos e seguros. Para manterem a relação “valiosa” com seus clientes, os bancos têm que agir rápido, aceitar a nova realidade, se reinventar. E não adianta oferecer “aviãozinho” para a plateia.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.