Você quer passar suas férias, digamos, na Islândia. Entra na internet, procura algumas dicas no Google, mas interrompe a busca e vai dar comida para o cachorro. Volta cinco minutos depois. Abre o Facebook e – milagre! – surgem na sua tela diversos anúncios de passagens aéreas, hotéis, aluguel de carros, restaurantes. Tudo para/da Islândia. Aí você desiste daquela ilha, decide que vai passar as férias em casa, com o cachorro. Entra no Facebook, Google, portais de notícias e, entre um post e outro, o que mais aparece – adivinha! – é propaganda da Islândia.

O que, para alguns, é percebido como uma ajuda, para outros – muitos outros – tudo não passa de propaganda não-autorizada. Contra ela criaram-se, anos atrás, os primeiros “ad blockers”, ou bloqueadores de publicidade. De fato, nada disso é novo. Novidade mesmo é o enorme crescimento do uso dos “ad blockers”: de acordo com a GlobalWebIndex, entre os alemães de 16 a 34 anos, por exemplo, a tecnologia – muitas vezes paga – já é adotada por mais de 40% dos usuários. Recentemente, a Apple e o Google passaram a permitir o download dos “ad blockers” em seus smartphones.

Mas a questão é delicada. Jornais no mundo inteiro, como o americano The New York Times e o alemão Bild, são parcialmente financiados pela publicidade online. Em meio à polêmica global, o primeiro tem solicitado aos seus assinantes para que o coloquem na “lista branca” dos bloqueadores; mais radical, o Bild decidiu simplesmente “bloquear” o acesso dos visitantes que utilizam “ad blockers”. Entre a evidente necessidade de os jornais se financiarem e a inalienável liberdade individual de escolha, a pauta promete render ainda muitas matérias e posts. Com ou sem publicidade.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.