No início, há quase dez anos, quando foi lançado pela Apple, o iPhone era, além de um celular revolucionário, um sinal de status. Ter um e ainda exibi-lo em público, especialmente fora dos Estados Unidos, provocava inveja – muita – entre os consumidores hi-tech. E a maneira mais direta (ou arrogante) de demonstrar esse status era assinar os e-mails com o clássico, e à época padrão de fábrica, “Sent from my iPhone” (no Brasil, “Enviado do meu iPhone”).

Isso durou alguns anos e por algumas novas versões do aparelho. Pois bem, decorrida quase uma década desde o primeiro modelo, com milhões de aparelhos espalhados no mundo inteiro e às vésperas da aparição do iPhone 7 – cujo lançamento está marcado para o dia 7 de setembro, na semana que vem –, muita coisa mudou. A assinatura “default” da Apple passou a ser suprimida; afinal, comprado por valores obscenos ou mesmo roubado, nada mais banal do que um iPhone nas mãos.

O mundo dá voltas, contudo. A tecnologia avança, mas está longe de se tornar perfeita. O iPhone bem que tenta, mas ainda não consegue ler nossos pensamentos. E nesse dia a dia alucinado do homem urbano, sem tempo para revisões, é cada vez mais comum enviarmos de nossos iPhones e-mails com uma profusão de frases sem sentido, erros de grafia e gramaticais ou simplesmente falta de palavras. Com ou sem corretor automático. E depois que o e-mail foi enviado cheio de erros, não tem mais volta. Ou tem?

Mais ou menos. Na semana passada, consultorias especializadas em comunicação mobile perceberam que os usuários de celulares da Apple estão muitíssimo preocupados com os destinatários de seus e-mails – muitos deles indecifráveis, como a chamada deste post. Eles descobriram o pedido de desculpas perfeito: “Enviado do meu iPhone”.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.