Para muitos, aquela sequência interminável de selfies não passa de puro narcisismo, exibicionismo gratuito de usuários pernósticos. Críticas e exageros à parte, o fato é que as redes sociais têm ajudado turistas do mundo inteiro a melhorarem – e muito – a qualidade de suas viagens. Troca de experiências, pedido de dicas de última hora, acesso a promoções e localização online via Twitter, Facebook, Periscope ou Instagram podem evitar “roubadas” ao viajante incauto. E colocá-lo no roteiro correto.

O Twitter, por exemplo, é utilizado com bastante frequência por companhias aéreas e agências de turismo para vendas-relâmpago. Para aproveitá-las, basta procurar destinos específicos, palavras-chave e hashtags como #traveldeals ou #promoçõesviagens. Por outro lado, o microblog serve como canal direto para resolver contratempos urgentes, como a perda iminente de um voo. “As equipes [de certas empresas aéreas] no Twitter geralmente têm mais poder que os atendentes no telefone. Num voo recente, um companheiro de viagem tuitou na conta @AmericanAir que ele iria perder seu voo [de conexão], e eles o colocaram em outro voo antes de aterrissarmos”, conta o blogueiro Gary Leff, especializado em viagens.

Já o Instagram oferece um recurso que permite ao usuário a visualização de fotos obtidas em praticamente qualquer lugar de interesse, seja uma praia, um museu ou restaurante – e isso inclui lugares descolados e só conhecidos pelos “locais”. Se digitar “Atacama” na janela de busca, o viajante será guiado para todas as hashtags e posts relacionados ao deserto chileno. E por aí vai.

Rede social preferida globalmente para compartilhar selfies de viagens, o Facebook, por sua vez, dispõe de recursos como o Live/Ao Vivo, lançado no ano passado, que permite a transmissão do que se vê e ouve diretamente para o feed de notícias, e o Groups/Em Grupo, para facilitar a comunicação entre companheiros de um mesmo roteiro. Como o WhatsApp, aliás. Questões cruciais como planejamento logístico e alterações repentinas no itinerário ganham um espaço específico e mais ágil para discussão. E para quem não se enquadra em nenhuma das situações acima, sempre há a possibilidade de postar selfies a cada esquina. Mas essa é uma outra “viagem”.


Ricardo Largman, jornalista formado pela PUC-RJ em 1982, é crítico de cinema, consultor de Comunicação e assessor de Imprensa do Instituto IBMEC.